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INTRODUÇÃO |
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O solo possui
importância vital para os seres vivos, pois serve-lhes de suporte dando
abrigo às plantas e aos animais e contribui para a sua alimentação,
conjuntamente com os seres vivos, constitui a Biosfera.
O solo é uma camada superficial da crosta terrestre,
constituída por matéria mineral não consolidada e pelos organismos
vivos bem como os produtos da sua decomposição. No solo ocorrem
constante e simultaneamente complexas reacções em que a matéria mineral
se transforma em matéria orgânica e vice-versa.
Os vários tipos de solo diferem entre si devido à
rocha-mãe a partir da qual se formaram. A formação de um solo inicia-se
com a degradação da rocha-mãe, seguindo-se processos erosivos como o
vento e a chuva que desagregam a rocha e provocam alterações químicas
que levam à sua fracturação; a temperatura que provoca contracções/dilatações
fazendo com que apareçam fendas; a acção dos seres vivos (bactérias,
fungos, líquenes, insectos, etc.) que se instalam nos fragmentos rochosos
contribuindo também para a sua desagregação; etc.
Após acção destes agentes verifica-se o
enriquecimento do solo em matéria orgânica, formando-se assim o solo
primitivo. Ocorre a fixação de seres vivos mais complexos e
acentua-se a acumulação de matéria orgânica, havendo também a degradação
dos fragmentos rochosos. Deste modo vai-se verificando a evolução do
solo. Podemos concluir que a pedogénese (formação,
diferenciação e evolução de um solo) ocorre com meteorização física,
química e biológica.
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CAMADAS
OU HORIZONTES
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Um solo maduro, após sofrer meteorização mecânica,
meteorização química e incorporação da matéria orgânica,
encontra-se dividido em camadas (horizontes). O solo deve apresentar 4
horizontes que se podem dividir em sub-horizontes. Ao conjunto destes
horizontes, a sua ordem e constituição dá-se o nome de perfil pedológico.
As camadas distinguem-se pelas diferentes características
de composição química, textura, cor, porosidade, riqueza em matéria
orgânica e/ou mineral, etc. Nestas condições, um solo deve apresentar:
Horizonte 0 é uma camada orgânica constituída por
restos de plantas e animais em decomposição – a manta morta. Existe
apenas em locais onde haja vegetação.
Horizonte A é uma camada superficial rica em
detritos orgânicos de partes de plantas e de seres vivos em estado de
decomposição estabilizado – o húmus, apresentando por isso coloração
escura. Está sujeito ao processo de lixiviação no qual os seus
constituintes são arrastados pelas águas infiltradas para o horizonte B.
Horizonte B é um horizonte que inclui partículas
minerais, substâncias coloidais, materiais argilosos, óxidos, hidróxidos
metálicos, carbonatos, etc. provenientes do horizonte A arrastadas pela
infiltração da água (lixiviação). Acumulam-se aqui também materiais
rochosos provenientes do horizonte C. Por ser pobre em matéria orgânica
apresenta cor mais clara que o horizonte A.
Horizonte C é essencialmente constituído pela
rocha-mãe pouco alterada, fracamente fragmentada. Aqui verifica-se fraca
meteorização, tem por isso características muito próximas da rocha-mãe.
Horizonte R/Rocha-mãe é constituída por massas
rochosas praticamente inalteradas. É a partir desta camada que se formam
os solos. A sua profundidade pode oscilar entre alguns centímetros e vários
metros.
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CONSTITUINTES
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Os
principais constituintes do solo são a matéria mineral, a matéria orgânica,
a água e o ar dependendo as proporções destes constituintes do tipo de
solo.
A
matéria orgânica, no solo, é constituída por restos vegetais e
animais. Uma parte da matéria orgânica constituinte do solo, que
corresponde à matéria orgânica decomposta estabilizada, é designada
por húmus e acumula-se à superfície.
O
húmus tem propriedades coloidais, que se deve à existência de partículas
electronegativas (por exemplo a argila) que se associam às partículas de
matéria orgânica formando o complexo argilo-húmico. Este
complexo é muito importante na nutrição das plantas pois fixa os iões
existentes nas soluções de solo.
A
matéria orgânica existente no solo facilita a penetração das raízes,
a retenção de água e o arar dos solos. Esta forma complexos com a matéria
mineral, o que facilita a nutrição das plantas, fornecendo-lhe
nutrientes essenciais.
O
ar entra na constituição do solo para preencher os espaços existentes
entre as partículas sólidas que não são preenchidos pela água. O ar
presente nos interstícios entre as partículas de solo resulta da combinação
dos gases da atmosfera com os gases libertados durante as actividades biológicas
e químicas ocorridas ao nível do solo, daí ser também chamado
atmosfera do solo. Um solo pouco arejado é também pouco produtivo pois não
oferece oxigénio suficiente para a respiração das raízes.
A
presença de ar no solo influencia não só a sua produtividade mas também
a sua cor. Assim, a existência de oxigénio na constituição do solo vai
permitir oxidações dos compostos de ferro dando origem a um composto
vermelho designado por hematite e, no caso de este composto ser hidratado,
dá origem a um outro de cor amarelo-acastanhada designada por limonite.
A
água é o constituinte do solo onde se encontram substâncias
dissolvidas. Desempenha uma importante função na formação de um solo e
é indispensável às formas de vida dos solos.
A
quantidade de água no solo (humidade) depende de vários factores como o
clima, a textura, estrutura e permeabilidade do solo, a acção dos seres
vivos e varia com o tempo e a situação geográfica do solo considerado.
A sua percentagem num solo não é constante porque se encontra sempre em
movimento; pode infiltrar-se, evaporar-se ou ser absorvida pelas plantas.
A
água de um solo pode ser classificada da seguinte maneira:
Água
de constituição é aquela que entra na estrutura química dos minerais.
Não está disponível para as plantas.
Água
higroscópica é a que esta adsorvida à superfície dos minerais;
encontra-se por cima da superfície dos minerais. Não está disponível
para as plantas.
Água
capilar forma películas em volta dos minerais. Constitui a principal
fonte para as plantas.
Água
gravitacional desloca-se de poro em poro e provoca alagamento do solo se não
for drenada.
Por
possuir muitas substâncias dissolvidas, a água existente no solo é também
designada por solução de solo.
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PROPRIEDADES
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O
solo apresenta algumas propriedades, tais como a cor, a textura, a
estrutura, o pH, a porosidade e a permeabilidade resultando estas últimas
da textura e estrutura do solo.
A
textura é a quantidade e proporção em que se encontram as diferentes
partículas minerais que fazem parte da constituição do solo. A textura
de um solo depende da rocha-mãe que esteve na sua origem, da topografia,
do clima e do grau de evolução do solo. A dimensão das partículas
minerais é normalmente classificada segundo a Escala de Atterberg.
Laboratorialmente,
pode determinar-se a textura de um solo recorrendo ao método granulométrico
que consiste em separar as partículas minerais do solo conforme os seus
tamanhos, pesos e volumes. Este método pode ser posto em prática
utilizando vários peneiros com malhas de diferentes dimensões colocados
por ordem decrescente, ou procedendo do mesmo modo que na actividade 4 –
acrescentar água ao solo, agitar, deixar repousar a solução e observar
a disposição das partículas minerais. O resultado obtido segundo este método
deveria ser semelhante ao seguinte:
A
estrutura de um solo consiste na forma como os seus constituintes se
organizam, o tamanho das partículas e os espaços vazios entre estas.
A
porosidade e a permeabilidade são propriedades que estão directamente
relacionadas com a textura e estrutura do solo.
A porosidade do solo é o espaço que existe entre as
partículas e que pode ser preenchido por ar ou água.
A permeabilidade está relacionada com a porosidade e
consiste na capacidade que o solo tem de se deixar atravessar pela água.
Quanto maior for a permeabilidade do solo, menor é a sua capacidade de
retenção da água e um solo muito poroso é muito permeável e um solo
pouco poroso é pouco permeável.
O pH de um solo depende da composição química de
um solo e das reacções que nele ocorrem. Varia com a quantidade de água
e com as culturas que nele existem.
Para
classificar os diversos tipos de solo, usam-se frequentemente diagramas
triangulares
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SITUAÇÕES
EXPERIMENTAIS
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ü
A
secagem do solo é feita a 100º/105º para evitar a destruição da matéria
orgânica e permitir a eliminação da água.
ü
A
matéria orgânica eliminada por calcinação corresponde ao húmus
existente na amostra de solo.
ü
A
água eliminada por secagem é essencialmente a água capilar (que forma
películas em torno dos minerais e constitui a principal fonte para as
plantas) e alguma da água higroscópica (que se encontra adsorvida à
superfície dos minerais e não está disponível para as plantas).
ü
Depois
de calcinado, o solo arenoso apresentava uma coloração idêntica à
amostra inicial por ser pobre em matéria orgânica; enquanto que o solo
humífero apresentava uma coloração muito semelhante mas ligeiramente
mais clara porque a matéria orgânica, que lhe conferia certa tonalidade
escura, foi eliminada.
ü
O
solo humífero forma filamentos porque se deixa moldar devido ter argila
que fixa iões e moléculas polares de água. Isso não acontece na areia
porque é um tipo de solo pobre em argila.
ü
O
complexo argilo-húmico é constituído por restos de matéria orgânica,
argila, húmus e limos, como foi possível concluir a partir dos
resultados obtidos após a primeira decantação.
ü
O
solo humífero forma torrões porque é rico em aniões e catiões (por
ter matéria orgânica decomposta; apresenta, por isso, maior consistência
do que o solo arenoso).
ü
O
solo arenoso é mais permeável do que o solo humífero, ou seja, tem
maior capacidade de se deixar
atravessar pela água.
ü
O
solo humífero tem maior capacidade de retenção da água porque tem matéria
orgânica que facilita a retenção, logo, menor permeabilidade
ü
O
solo arenoso é muito poroso – a existência dos poros facilita a
circulação de água, o que lhe confere maior permeabilidade. Por oposição,
o solo humífero é mais compacto, menos poroso, retendo a água e sendo
menos permeável.
ü
A
permeabilidade e a capacidade de retenção se relacionam na razão
inversa.
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